As aventuras de uma balzac teenager

Sinta-se em casa!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Mas percebo agora que o teu sorriso vem diferente, quase parecendo te ferir.

No ônibus pra Mogi, em 92, conheci o Paulo, um coroa que cursava Direito. Com um tempo de convivência ele me disse que eu era um enigma. Sempre de sorriso aberto e cheio de dentes.
Disse que eu parecia um farol no mar. Tinha luz própria e ajudava quem estivesse perdido. Mas não tinha ninguém pra me iluminar na hora que eu me apagava. Simplesmente porque ninguém me via apagar.
Demorei um tempo pra entender o que ele queria dizer. Afinal, nem tinha idade pra uma questão profunda como essa. Paulo era um filósofo. E era bem divertido. E ele tava certo.
Com o passar do tempo, entendi perfeitamente o que ele queria me dizer. Eu sempre estava sorrindo. Sempre achava alguma coisa pra me fazer sorrir. Mesmo no meio de algo que não parecia ser engraçado nem agradável, eu sempre achava alguma coisa interessante pra abrir um sorriso. Ou soltar uma piada. E provocar o sorriso dos outros.
Lembrei de quando eu era criança, sempre fazendo caretas, debochando de situações chatas em que a gente tem que fazer pose pra foto sem estar com a mínima vontade. A palhaça da turma.
Eu era assim. Eu sou assim ainda. Posso estar morrendo por dentro e quase ninguém vê.
É fuga? Não. É personalidade mesmo. Já tentei mudar, mas acabo rindo da minha própria desgraça. Parece que a dor fica mais leve, o fardo menos pesado.
O problema é que a minha tristeza me consome e ninguém vê, ninguém ouve, ninguém sente, ninguém se importa, ninguém acredita. Porque ela é invisível pra eles.
Ela gruda em mim e tem medo da luz do dia. Fica brava com meu sorriso. E, pra se vingar, me come mais rapidamente.
Quando ela me apavora, tenho vontade de gritar por socorro. Mas meu grito é abafado pelo meu sorriso, seguido de uma piada quase de humor negro e uma comparação de que sempre tem gente pior que eu.
E a minha tristeza fica lá, quieta, amargurada, esperando o momento certo pra se vingar de mim. E ela é rápida quando quer: basta um pouco de falta de atenção e solidão e pronto! Já tá me devorando de novo.
E hoje eu ainda não sorri. Por enquanto.
Bizusssssssssssssssss

9 comentários:

Fabi disse...

Daniiii... muitos e muitos sorrisos pra você! Amei ler o que escreveste. Ainda não te vi "de pertin", mas a luz do teu sorriso já chegou aqui, em mim, desde o primeiro scrap... Bizussssssssss e muitos sorrisos!

symonesanterini disse...

Ser farol de si mesmo... mesmo quando o farol tá baixo, a lâmpada meio queimada... é isso que tu faz com teu sorriso, teu sorriso, só teu.
Nada de fuga ou máscaras, é a mais pura realidade dentro do mundo cheio de ilusão em que vivemos, dentro desse mundo cheio de personagens e estórias sem fim ou com fins mal escritos.
Tua luz, mesmo que temporariamente enfraquecida pelos fios tortuosos do corpo humano, tá aí, e enquanto há luz, há esperança ;-))

Todo amor _/\_

Tati disse...

Dani... tú é foda mulher... tem dias q saao assim, mas pensa q dias melhores virao...
Danilinho ta ai.. e é ele quem vai te fazer sorrir, cada manha...
bejs

Blog do Nilton Sergio disse...

Uma vez eu vi num filme, muito bobo por sinal, alguém dizendo que não importa o que você fez no passado e nem o que acha que fará no futuro, mas a jornada em si.
É praticamente impossível levarmos a vida sem sofrer ou desanimar. Mas, sorrindo e fazendo sempre a "limonada" como você faz, acredito que você honra esse dom divino que Deus lhe deu.
Tem gente pra tudo nesse mundo- até que nasceu pra roubar, veja os nossos políticos, por exemplo. Você está aqui para iluminar o caminho alheio. Mas, se não estiver satisfeita, posso te dar um curso intensivo de rabugice ! De grátis !
Quer?

Celia disse...

Cuuuuu
Lindo, Lindo, Lindoooooo

alessandra disse...

Me desculpe a invasão....não sei como vim parar aqui....talvez pelo orkut pois conheço seu irmão.....hoje quando "abri" meu computador e fui fuçar no histórico, vi este endereço... aí percebi que já tinha estado aqui antes rsrs (se quiser fique a vontade para excluir)

maravilhoso o que vc escreveu, e penso que o sorriso, mesmo que calado, esta apenas descansando dentro de nós.....pois nossos sentimentos todos eles também precisão de "noites" de sono e talvez não acordem de bom humor rs

bjs

Patrícia Fagueiro disse...

Bila Biluuuuuu
Vc é um farol mesmo. Aliás, ao ler o seu texto até me senti um pouco culpada por ainda não fui te ver, contar novidades, rir um pouco... Caca! Mas quando vc se sentir meio tristinha, liga pra mim...eu me sinto assim tb às vezes... Cuide-se! Estamos com saudade de tu, Bilu!

Fábio W. disse...

Achei este blog lindo, vc se expressa muito bem. Mas posso te dizer uma coisa com toda segurança: quem te conhece bem, bem mesmo, sabe quando por de trás de seu constante sorriso se esconde uma tristeza. Sempre tem alguém que nos decifra sem pistas.
Mas não pare de sorrir nunca.

Deborah disse...

É Dani, essa "coisa" de tristeza às vezes é difícil de explicar.
Todo mundo sente, com certeza. É aquela história de sermos iguais em essência, embora muita gente não consiga imaginar isso. Quem dirá entender.
De certa forma eu entendo o que vc diz sobre demonstrar a tristeza. Eu queria escrever sobre isso aqui, se me permite... Também sou, um pouco, assim. Embora eu não tenha o dom de fazer graça. Sou o tipo mais introspectivo. Séria, como dizem por aí... Ganhei esse rótulo de muitas pessoas...rs... Acho que não sou séria. Sou observadora. Sou introspectiva. Mas sei ser engraçada pra quem me conhece bem. Nunca ninguém acha que eu tenho problemas, medos, tristezas. Pois eu coloco "uma banca" de quem é forte pra "cacete". Fica tudo lá, guardado, escondido. Poucas pessoas percebem. Quase ninguém...
Mas de uns tempos pra cá, não consigo tanto esconder o que sinto. Tá mais transparente. Tá mais na cara. E quer saber? Melhor assim. Outro dia até deixei de fazer tudo que tinha que ser feito naquele determinado dia e me dei o direito de fazer o que me mandava a alma... Porque a gente esquece de ouvir a alma...
E essas coisas que a gente fica guardando, mesmo inconscientemente, fazem mal pra caramba. E viram doenças sim. Infelizmente. Pois seria bom que a gente conseguisse ser muito forte e dar conta de tudo e isso ainda não nos fazer mal algum...
É bom se permitir também chorar, gritar, ficar com cara de triste e não ter que fingir. Tirar todas as máscaras e papéis que vestimos todo dia, dia a dia, em cada uma de nossas funções.
A vida seria bem mais simples sem um bocado de coisas que inventaram...
Mas tudo vale a pena quando a alma não é pequena né?
Esse trecho de um livro chamado A Alma Imoral é muito interessante. Fala sobre sermos fiéis a nossa alma.
Deixo como reflexão pra tudo que a vida nos apresenta:
"Há um olhar que sabe discernir o certo do errado e o errado do certo.
Há um olhar que enxerga quando a obediência significa desrespeito e a desobediência representa respeito.
Há um olhar que reconhece os curtos caminhos longos e os longos caminhos curtos.
Há um olhar que desnuda, que não hesita em afirmar que existem fidelidades perversas e traições de grande lealdade!
Este é o olhar da alma!!!"
Te admiro muito Dani. Te admiro porque vc não se entrega. Encontra algo bom pra dar um sorriso, mesmo que algo ruim esteja lá dentro. É, também, justo ser assim...Melhor que entregar-se a tristeza. A tristeza quer reinar sozinha. Por isso ela não gosta de sorrisos. Sorrisos atraem luz, pessoas, boa energia, mesmo que não vejamos... Então, vamos matá-la de solidão, com nossos sorrisos.
Gosto muito de você. Sigo contigo...
Bjs,
Deborah